Vivendo Mais e Melhor

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O atendimento a um dos nichos de mercado que mais crescem no País, o da terceira idade, tem sido motivo de reflexão, tanto por parte de homens públicos, quanto por empresas privadas dos segmentos da indústria, comércio e serviços. Até então, à margem dos movimentos de transformação social, os idosos despertam hoje uma atenção que jamais tiveram. O perfil dos idosos também vem mudando já há algum tempo, em auto-estima, em habilidades físicas, em melhoria de sua qualidade de vida. Sua existência, hoje, não se resume mais à família e aos netos. Mas, se já não é mais assim, então qual é o seu espaço num mundo que foi sempre feito e pensado para os jovens? Qual é o seu contexto hoje, nesse cotidiano extremamente tecnológico, onde quem não participa da socialização em rede se sente constrangido e é considerado ultrapassado?

 

Tudo bem, os dados estão aí, mas o que estamos fazendo diante disso? O que a sociedade está fazendo para garantir um futuro mais adequado a esta faixa da população? Não seria o caso de, com maior interação entre governo e sociedade, construirmos, de fato, uma política para o idoso, já no presente? E como preparar a população que hoje é jovem para envelhecer, uma vez que negar o envelhecimento é negar a própria existência, uma vez que, ao nascer, já iniciamos automaticamente o processo natural de envelhecimento. Cabe a nós, empresários e homens públicos, a responsabilidade de estudar, pesquisar e criar espaços e condições adequadas para a inserção de idosos na atual dinâmica social e política, atendendo suas expectativas e servindo de exemplo para outros países.  Certamente é um desafio robusto e permanente, que clama por inicio imediato.

 

Como empresário do setor de turismo de negócios, posso dizer que o atendimento adequado às pessoas com mais de 60 anos tem sido nosso objetivo há mais de cinco anos, quando idealizamos o programa chamado Convivência com o lema: "conhecer pessoas, aproveitar a vida e preparar o futuro". Apresentado recentemente em Portugal aos operadores de turismo europeus e, lançado, agora, no Brasil, o projeto reúne ações de turismo, por meio de viagens temáticas, cultura, lazer, dança, atividades esportivas, medicina e saúde, negócios e inclusão digital. Estes assuntos serão debatidos anualmente na Conferência Internacional Sobre Idoso e Feira de Produtos, Serviços, Tecnologia e Qualidade de Vida , previstos para 2012, na cidade de Gramado.

 

O Brasil está envelhecendo antes de ficar rico, ao contrário do que acontece nos países desenvolvidos. É sabido que esta camada da população, que hoje significa 17% do poder de compra do Brasil, o equivalente a R$ 156 bilhões por ano, estão precisando de uma maior aproximação com o mercado, indústria e prestadores de serviço. Chega de ações isoladas. Basta de ficar esperando apenas pelo poder público. A nossa condição de cidadãos nos permite promover este debate, reunir os interessados e, em conjunto, construir um amanhã diferente, melhor, maior, lucrativo, digno e feliz. Preparar o nosso futuro é o desafio que estamos propondo para toda a sociedade.

 

Maurício Cavichion é diretor da Tribeca, turismo de negócios.



 

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